DESMISTIFICANDO
O ÓCIO – PARTE 4

Por Márcio Santim

É muito comum as pessoas pensarem que o estresse e outras formas de mal-estares psicológicos decorrem apenas das relações de trabalho, não observando o nível de qualidade presente nas atividades realizadas durante o tempo livre que lhes apresenta disponível.

Vários sentimentos comuns na sociedade atual, tais como vazio interior,tédio e angústia, revelam que alguns modos de desfrutes do ócio são de fato um simulacro de prazer, isto é, uma farsa vivida com o próprio consentimento dos indivíduos.

Frequentemente, além de todas as dificuldades inerentes aos ambientes profissionais, também retornamos frustrados ao trabalho por não sentirmos um autêntico prazer no ócio, no sentido de não encontrarmos nesse momento a felicidade esperada em troca dos sacrifícios comumente exigidos pelas relações laborais.

O alcoolismo, que por sinal tem se iniciado precocemente, as drogas, as festas Raves, bailes funks e outros entretenimentos procurados pelas pessoas a fim de “saírem de si mesmas” e do mundo que as rodeia, apresentam-se como reações mórbidas diante dais mais variadas relações sociais que não têm lhes promovido níveis de qualidade devida satisfatórios.

No fundo, constitui-se como uma atitude de desespero, de fuga frente às relações opressoras, visando um encontro idealizado com algo, tal como a felicidade que não está sendo experimentada por muitas pessoas, sem os estágios alterados de consciência, provocados pela ingestão de substâncias químicas e submissão a outros tipos de vícios.

Há um sério conflito enfrentado pelos indivíduos com relação a si mesmos.De um lado, eles são pressionados pela lógica social a acreditarem que as condições necessárias para a felicidade estão contidas nos modismos relacionados a como o ócio deve ser usufruído mediante as conquistadas realizadas diante do tempo dedicado ao trabalho, que praticamente se resumem ao fato de se ganhar dinheiro.

Por outro lado, no plano emocional e inconsciente, as pessoas intuem que tal promessa não tem sido efetivamente cumprida, despertando-lhes a necessidade de fugir dessa realidade por meio de diversos comportamentos, entre eles:entorpecendo-se mediante uso de substâncias psicoativas, comprando compulsivamente os mais variados tipos de mercadorias, passando horas e horas na frente do computador, TV, celulares e outros comportamentos que afastam a realidade da consciência ou a consciência da realidade.

Esses breves momentos de felicidade logo são superados, quer pela ressaca quer pela depressão. O paradoxo é de quanto mais automáticos esses comportamentos se manifestam e a todo custo deles desejamos escapar, mais nos enroscamos nessa teia, pois esses tipos de fuga do sofrimento para a conquistada suposta felicidade não são realizados com consciência e autonomia.

Se fossem concretizados dessa forma, tenho convicção de que não haveria tantos comportamentos destrutivos, tais como aqueles encontrados nos momentos do ócio.

Falta-nos conhecimentos sobre a irracionalidade psíquica e social existente que impregna nossos comportamentos e se encontra encoberta por uma aparente racionalidade que expõe esses fatos como se fossem normais.

Diante disso, podemos considerar que o processo de formação dos indivíduos, incluídos nele todos os meios educativos envolvidos, não tem contribuído para que eles possam desfrutar com maior liberdade as horas disponíveis fora do seu ambiente de trabalho.

Precisamos ser educados para saber como usufruir positivamente o ócio. Um dos exemplos dessa carência educacional, refere-se ao fato de existirem várias pessoas que acabam desenvolvendo quadros depressivos quando se aposentam,encarando o fim da carreira profissional como se fosse literalmente o término da vida.

Para evitar esse tipo de problema, o leque de atividades realizadas pelas pessoas durante o ócio, precisa ser ampliado no momento em que elas ainda estão exercendo as suas atividades profissionais e nunca ser realizado apenas na hora das suas aposentadorias, visto demandar certo tempo para que ocorram as adaptações necessárias diante do novo modo de vida, longe dos meios profissionais.

Outro fator responsável por essas dificuldades, refere-se à grande quantidade de tempo dedicada por alguns profissionais ao trabalho, que se estende muito além dos limites legais, ocupando as suas consciências fundamentalmente com as questões que lhe são pertinentes.

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por márcio santiM

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